Estavam ali sentados olhando o mar, era a última vez que se viam, não se tocavam, evitavam se olhar. Ela iria embora em breve.
Ele se levantou e sem dizer nada ficou esperando ela se levantar também. Ela logo entendeu e se levantou, se abraçaram praticamente sem se tocar, ela fixou seu olhar no rosto dele e ele continuou olhando o mar e disse um adeus apressado, ela ficou sem ação e respondeu com a voz rouca, segurando o choro. Ele virou-se apressadamente e foi andando, ela permaneceu imóvel o olhando de longe com os olhos marejados, uma lágrima escorreu pelo seu rosto enquanto ele parava para acender um cigarro, logo ele sumiu de vista.
Estava sozinha novamente, virou-se e foi andando sem destino, sem se importar com o que acontecia ao seu redor. Resolveu sentar em um velho banco, velho conhecido, ficou olhando o horizonte e lembrando de todas as histórias que viveram juntos.
Um garoto mexeu com ela, ela nem sequer notou, começou a chorar silenciosamente, meio que sem querer, logo o garoto desistiu.
Se lembrou da primeira vez que chorou e como foi inocente, e começou a chorar violentamente, como se finalmente tivesse entendido o que aconteceu.
(…)
Parou de chorar e ficou olhando o mar com curiosidade. Resolveu entrar do jeito como estava, se entregar sem pensar, foi entrando, a água estava fria, ondas violentas vinham em sua direção e batiam em seu peito, a incomodou no começo, mas logo aceitou e resolveu mergulhar.
Entrou no mar, resolveu nadar contra seus medos, sem pensar em voltar, sem olhar pra trás, sem pestanejar e seguiu em frente, rumo ao desconhecido.
Ótimo conto.