Disse ele: – Vou te amar por toda a eternidade!
Essas palavras vieram a minha cabeça quando decidi matá-lo, mas era necessário a decisão já estava tomada.
Respirei fundo e sem pensar duas vezes o empurrei escada a baixo.
Meu porão agora era o cenário de um crime premeditado. Desci as escadas na semi-escuridão e sem nem olhar para o seu rosto, amarrei suas mãos e seus pés, o amordacei e coloquei nele um capuz, o deixei jogado no chão e tranquei a porta.
Todos os dias eu lembrava desta cena, pensei por muitas vezes em abrir a porta e ver como ele estava, mas o que estava feito, estava feito.
No dia seguinte ouvi ruídos vindos do porão, me controlei para manter a calma, aumentei o volume do meu rádio. Alguns amigos me ligaram e me senti aliviada, ninguém sabia do crime, era o meu segredo.
Tentando me livrar da culpa e abafar os ruídos, que dessa vez tenho certeza, eram coisas criadas pela minha mente, comecei a abusar das festas que rolavam quase sempre na minha casa, regadas a muito álcool e cocaína.
Em meio a tudo isso, conheci alguém que conseguiu aliviar um pouco a dor, não era um novo amor, meu coração estava gelado demais pra isso, mas era uma companhia agradável para preencher um pouco o vazio, e os dias foram passando.
Anos se passaram, não houve um novo amor, mas o sofrimento se foi, a dor era apenas uma lembrança, estava pronta para descer aquelas escadas e enfim dar um enterro digno ao homem que um dia eu amei e matei.
Desci a luz de velas, pensei em exitar, mas eu precisava fazer aquilo, o desamarrei e com muito esforço carreguei seu corpo escada acima. O enrolei em um lençol e o enterrei no meu jardim.
As flores que lá nasceram eram as mais belas flores, e o meu segredo permaneceu dentro do meu coração, mas agora estava tudo terminado.
Um crime perfeito, outro pecado necessário entre tantos.
Medomedomuitomedo…
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